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As principais matérias-primas para a produção nacional do biodiesel são: girassol, soja, milho, amendoim, algodão, canola, mamona, babaçu, palma (dendê) e macaúba, entre outras oleaginosas existentes



As principais matérias-primas para a produção nacional do biodiesel são: girassol, soja, milho, amendoim, algodão, canola, mamona, babaçu, palma (dendê) e macaúba, entre outras oleaginosas existentes

Biodiesel

Conteúdo migrado na íntegra em: 08/12/2021

Autores

Talita Delgrossi Barros - Consultora autônoma

José Gilberto Jardine - Embrapa Territorial

 

Biodiesel é o produto da reação de gordura animal ou vegetal com álcool (ou transesterificação).

Tecnicamente podemos dizer que a transesterificação é a reação entre triglicerídeos (gorduras) presentes em matérias graxas (óleos vegetais ou animais) e um álcool primário (etanol ou metanol), em meio preferencialmente alcalino, resultando em ésteres monoalquílicos (como os ésteres de etila e de metila).

Esses ésteres também podem ser obtidos a partir de ácidos graxos livres, mas, neste caso, a reação é de esterificação, e sua condução deve ser em meio preferencialmente ácido.

As principais matérias-primas para a produção nacional do biodiesel são: soja, milho, girassol, amendoim, algodão, canola, mamona, babaçu, palma (dendê) e macaúba, entre outras oleaginosas existentes no país. O combustível também pode ser obtido a partir de óleos residuais e de gorduras animais.

Além de ser uma tecnologia limpa, o emprego do biodiesel no óleo diesel de petróleo polui menos o meio ambiente, pode reduzir a dependência brasileira das importações de petróleo e trazer vantagens econômicas, pois sua produção e o cultivo das matérias-primas podem criar milhares de novos empregos, inclusive na agricultura familiar, principalmente nas regiões mais pobres do Brasil.

Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério da Integração Nacional (MI) e Ministério das Cidades (MCidades) mostram que a cada 1% de participação da agricultura familiar no mercado de biodiesel do país, baseado no uso do B5 (5% de biodiesel no diesel de petróleo), seria possível gerar cerca de 45 mil empregos no campo.

O mesmo estudo aponta que cada R$ 1 aplicado na agricultura familiar gera R$ 2,13 adicionais na renda bruta anual, o que significa que a renda familiar dobraria com a participação no mercado do biodiesel.

Dados do Mapa estimam que a área plantada para atender ao percentual de mistura de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo (cerca de 760 milhões de litros/ano) é de 1,5 milhão de hectares, o que equivale a apenas 1% dos 150 milhões de hectares plantados e disponíveis para a agricultura no Brasil.

Segundo informações da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), apenas o excedente do óleo de soja produzido no Brasil já supera a quantidade necessária para a adição de 2% de biodiesel.

O Mapa atualmente avalia o desenvolvimento das cadeias produtivas de diferentes óleos vegetais nas diversas regiões do país. Para a região Norte: dendê, babaçu, soja e gordura animal; para o Nordeste: babaçu, soja, mamona, dendê, algodão, coco, gordura animal e óleo de peixe; para a região Sul: soja, colza, girassol, algodão, gordura animal e óleo de peixe; e, para o Sudeste: soja, mamona, algodão, girassol, gordura animal e óleo de peixe.

O uso do biodiesel está associado à substituição de combustíveis fósseis em motores do ciclo diesel, sem haver necessidade de nenhuma modificação nesse motor. Pode ser consumido puro (B100), em mistura com o diesel de petróleo (B20), ou numa proporção baixa, como aditivo de 1% a 5% (B1 a B5).

O uso direto do B100 em motores, apesar de favorável energeticamente, é problemático devido a sua alta viscosidade (11 a 17 vezes maior que a do óleo diesel) e baixa volatilidade, o que impede a sua queima completa, formando depósitos nos bicos injetores dos motores.

Produção e consumo no mundo

As principais produções e consumos de biodiesel mundiais estão na União Europeia (principalmente na Alemanha, França e Itália), que fornece subsídios para incentivar as plantações de matérias-primas agrícolas, em áreas não-exploradas, e ainda isenção de 90% nos impostos.

Aproximadamente metade da capacidade produtiva de biodiesel europeu está na Alemanha - que é o maior produtor mundial do biocombustível -, e a principal matéria-prima oleaginosa é a canola. O segundo maior produtor mundial de biodiesel é a França, com uma produção de 550 milhões de litros, em 2005.

Nos Estados Unidos, quarto colocado no ranking da produção mundial, os produtores agrícolas também usufruem de incentivos tarifários e créditos, devido à necessidade de dar vazão aos estoques extras de óleo de soja, para equilibrar o excesso de oferta.

Esses países possuem legislações aprovadas que estimulam o uso do biodiesel como oxigenador do óleo de petróleo, num percentual de 5%.

 

Produção e consumo no Brasil

Em dezembro de 2004, foi criado o Programa Nacional de Produção e uso  de Biodiesel (PNPB). A ação foi resultado de uma parceria entre um grupo de trabalho interministerial e duas associações empresariais: a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

O programa é parte da política governamental brasileira para promover a produção de combustíveis alternativos derivados de óleos vegetais.

Inicialmente, a legislação federal não definiu a obrigatoriedade da adição do biodiesel ao óleo diesel de petróleo, apenas autorizou as distribuidoras de combustíveis a adicionar 2% do biocombustível em cada litro do diesel comum vendido internamente.

Posteriormente, a Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, estabeleceu a obrigatoriedade da adição, iniciando com um percentual de 2% a partir de 2008 e 5% em 2013.



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